QUANDO DEUS INVENTOU O MUNDO I
A invencao das coresNo princípio estava tudo para começar. Nao havia nada, nadinha de nada.
Havia apenas Deus e uma cadeira de baloiço.
E num dia em que Deus se sentia só e cansado de nao fazer nada inventou as cores, porque só havia branco.
Era uma monotonia. O branco era o nada e o tudo ao mesmo tempo.
Plim! Teve uma ideia! Pegou no branco e pôs-se a mexer, e a remexer e descobriu o azul, o amarelo e o vermelho.
Hum, tinha já três cores.
Era uma politonia.
Mas ainda nao estava contente.
Plim! Teve outra ideia!
Pôs-se a misturar as cores e descobriu o castanho para pintar a terra;
o verde talvez para a esperança
e o laranja e o violeta para o que der e vier.
E pôs-se a misturar tudo, e tudo e tudo e descobriu o preto. Logo ali pintou a noite e viu que tinha medo do escuro. Estava mesmo quase a chorar, quando, sem querer, meteu o dedo no amarelo e logo ali pintou a lua e as estrelas.
Adormeceu de tanto brincar e quando acordou estava de noite. Ainda nao havia manha. Bocejou, meteu o dedo no amarelo e pôs-se a fazer uma bolinha redondinha; enfiou sem querer o dedo no vermelho e salpicou de tinta a bolinha amarela. Ela, logo ali, comeu o vermelho e pôs-se como louca a girar, a girar, a girar e explodiu soltando fogo.
Que susto!! Uiiiiii !! Por pouco Deus se queimava!!E nao teve culpa nenhuma! A culpa foi da bolinha que comeu o vermelho e enlouqueceu, sentiu-se fogueira, e logo, ali inventou o sol.
E o sol, solzinho, inventou a luz, fez calor, e saiu de manha.
Que excitacao logo ali tao cedinho!! E que vontade de correr, de gritar e saltar.
E como nao havia cama, Deus pôs-se a saltar, a saltar sobre a cadeira porque nao tinha pai para lhe ralhar. Partiu-a e tambem nao tinha pai para a consertar.
E como nao tinha nenhum lugar para estar e se sentar, pintou um céu com azul para se acalmar. Distraiu-se e pintou tudo da mesma côr e ficou muito aborrecido porque so tinha ceu e mar.
Fez castanho e pintou a terra, pincelou-a de laranja e vermelho para que ficasse mais bonita. E como pensou que ela, um dia, poderia querer tocar o céu esticou-a tanto, tanto, tanto, que sem querer pintou montanhas.
Hummmm, ainda nao estava bem, faltava ali qualquer coisa.
Misturou o azul com o amarelo, inventou o verde que ja era esperanca e jogou para a terra umas gotitas. Nao ficou satisfeito e decidiu nao aborrecer-se com isso.
O sol estava ja para ir dormir. Deitou-se com ele e adormeceu.
No outro dia quando acordou já o sol estava de pé. Num salto assomou à janela e viu um verdadeiro milagre.
Tudo se havia transformado.
As pintinhas verdes eram agora arvores de todos os tamanhos e formatos, com copas gordas de folhinhas brilhantes; do amarelo nasceram os girassois e as abóboras; e do vermelho as papoilas e as maças; os mares tinham inventado as marés e os rios azuis; e os rios inventaram a água corrente e seguiam loucos, navegando entre vales e montanhas. O céu , para nao ficar pra ali a olhar, inventou um arco-iris de todas as cores.
Deus tinha a boca aberta, muito aberta, de tanto se espantar.
E pareceu-lhe que nada mais havia para inventar.
O céu piscou-lhe o olho e continuou a brilhar.
E Deus ficou á janela para poder sonhar.
Ilda
Buenos Aires
15/06/2006